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1.
Segurança do paciente: escopo do problema e história
Leape, L
Artigo
Idioma: Inglês
Fonte: Obstet Gynecol Clin N Am;(35): 1-10, 2008.
Data: 2008
Resumo:
  • Português: Inicialmente o autor pondera a dificuldade de delimitação do escopo do problema da segurança do paciente em função de vários fatores: modo como a informação é obtida; como e quem determina que o paciente sofreu uma lesão causada por erro ou outra falha no cuidado; baixa notificação dos erros fruto da cultura tradicional punitiva; e o fato de que muitos erros não são reconhecidos, mesmo quando eles causam dano, indicando que é difícil obter estimativa confiável dos erros. Segundo o Instituto de Medicina dos Estados Unidos (Institute of Medicine - IOM) a definição de segurança é a ausência de lesão acidental e não a ausência de erros. Assim, especialistas acreditam que é mais viável e produtivo focar sobre o número de lesões, não sobre os erros. Contudo, mesmo essa abordagem representa um desafio, pois, nos EUA, a estimativa anual do número de eventos adversos evitáveis varia entre de 1,3 milhões a 15 milhões. Em parte essa discrepância deve-se à conceituação. O estudo de Harvard %u2013 Medical Practice Study (MPS), mensurou somente lesão incapacitante, isto é aquelas que prolongam a permanência hospitalar ou resultam em incapacidade na alta %u2013 incluindo morte. O Instituto de Melhoria da Qualidade do Cuidado à Saúde (Institute of Healthcare Improvement-IHI) busca identificar todas as lesões sofridas por pacientes hospitalizados, incluindo náusea e vômito causados por erro na dosagem de medicamento. Outro grande responsável pela discrepância dos resultados é o método usado para coletar dados sobre evento adverso: relato voluntário tradicionalmente usado ou revisão de prontuário aplicada nos estudos recentes. A escolha da fonte de informação implica num custo dessa coleta, mas nenhum método é visto como capaz de identificar todos os eventos adversos, muito menos erros.O estudo de Harvard (MPS), que utilizou como metodologia a revisão de prontuários, é referência nesse campo e foi replicado em diversos países. O estudo mostrou que 3,7% dos pacientes hospitalizados sofreram EAs, dois terços dos quais evitáveis e 14% dos quais foram fatais. O consenso internacional é que aproximadamente 10% dos pacientes hospitalizados sofrem alguma lesão causada pelo tratamento, sendo metade dos casos evitáveis. Quando EAs específicos são estudados, a questão dos medicamentos se sobressai. Um estudo precursor encontrou que 6,5% dos pacientes internados sofreram lesão relacionada ao uso de medicamentos, dos quais 28% eram evitáveis. Baseado em outros estudos, estima-se que 1,5 milhões de pacientes nos EUA experimentam um EA por medicamento ao ano. Da mesma forma, estima-se que 1,7 milhões de pacientes internados adquiram infecção, sendo 99 mil destas fatais, e, em sua maioria, passíveis de prevenção. Quanto à cirurgia, estima-se que 3,5 milhões de pacientes sofrem EA posteriormente ao procedimento cirúrgico.O autor ressalta que recentemente o Instituto de Melhoria da Qualidade do Cuidado à Saúde (Institute of Healthcare Improvement) (IHI) relatou o resultado do uso de indicadores (%u201Ctrigger tools%u201D) para identificar EA. Esses indicadores são formados por critérios de rastreamento específicos que indicam algum contratempo, a partir do qual o caso é revisado para determinar se de fato houve um EA. Dados de hospitais que utilizam esse instrumento mostraram que 40% dos pacientes, ou seja, 15 milhões de norte-americanos dos Estados Unidos sofrem, por ano, um EA enquanto hospitalizados.Quanto ao histórico do tema segurança do paciente, o autor reconhece que esse movimento surgiu em 1991 a partir da publicação dos resultados do Estudo de Harvard. Refere ainda a insuficiente repercussão deste estudo, apesar deste ter sido publicado no New England Journal of Medicine e divulgado na primeira página do New York Times. Destaca ainda que a sociedade médica se regozijou com %u201Capenas%u201D 1% de EA devido à negligência. Baseado nos achados foi feita uma única recomendação: para que o estado de Nova Iorque implementasse um plano de compensação para lesão causada pelo cuidado de saúde. A legislação foi proposta, mas questões conjunturais concorreram para que fosse ignorada. O reconhecimento de que EA eram causados por erros levaram à busca por métodos para reduzir esses erros, em especial nos campos da psicologia cognitiva e engenharia de fatores humanos (human factors engineering). Essa busca levou à conclusão de que os erros poderiam ser reduzidos pelo redesenho do sistema, à semelhança da reformulação que impactou a diminuição de acidentes em outras indústrias (aviação e energia nuclear).Nesse histórico, o ano de 1995 é considerado um marco em decorrência da divulgação na mídia de vários casos de erros no cuidado de saúde, pois estes incentivaram o desenvolvimento de estudos, a realização de conferência sobre o assunto, a criação de organizações voltadas para tratar do tema da segurança e a instituição de estratégias para reduzir erros. Com a publicação do Relatório %u201CErrar é Humano%u201D, pelo Institute of Medicine (IOM), em 1999, o problema da falta de segurança no cuidado ao paciente chamou a atenção dos profissionais de saúde, do público e das autoridades. O autor destaca que o IHI tem sido a mais poderosa força à frente de mudanças para a segurança do paciente, cujo começo é anterior à publicação do Errar é Humano. Sua principal atuação é ajudar hospitais a redesenharem seus sistemas para torná-los mais seguros, através da colaboração em diversas áreas, tais como medicação ou cuidado intensivo. Por fim, a criação da Aliança Mundial para a Segurança do Paciente (WHO World Alliance for Patient Safety)* expandiu para o mundo o foco na segurança do paciente. Desde então, várias campanhas têm sido promovidas com o objetivo de reduzir os EAs e salvar vidas.Como conclusão, o autor coloca que, considerando os resultados alcançados, ainda que esteja avançando de forma lenta, pois requer uma mudança cultural, a possibilidade de um cuidado livre de lesão parece ser viável.
  • Inglês: How much of a problem is patient safety? The unsettling fact is that noone knows. What we "know" depends on how we gather information, onhow and who determines that a patient has been injured by an error or otherlapse in care. However, because we have traditionally punished people formaking errors, caregivers, not surprisingly, often do not report errors theycan hide. Add to that the fact that many errors are not recognized, evenwhen they cause harm, and it is clear that obtaining a reliable estimate oferrors is difficult.